Indicação parlamentar manifesta repúdio à perda de quase 12 km² para o município de Mucuri; transferência da Usina Santa Clara ameaça arrecadação municipal
NANUQUE – Uma mudança nos mapas oficiais do país acendeu o alerta vermelho na política mineira nesta semana. O vereador Lot Ignácio de Souza Junior apresentou na Câmara a Indicação nº 049/2026, expressando profunda indignação e repúdio à recente atualização dos limites territoriais publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com os novos dados, publicados em 30 de março de 2026, o município de Nanuque perdeu oficialmente 11,8 quilômetros quadrados de sua área para a cidade vizinha de Mucuri, no estado da Bahia. O ponto central da discórdia é a Usina Hidrelétrica Santa Clara, que, após quase 30 anos sob gestão e reconhecimento mineiro, passa agora a integrar o solo baiano.
"Golpe contra a soberania"
Para o vereador, a mudança não é apenas um ajuste técnico, mas um "golpe contra o patrimônio do povo nanuquense". Na justificativa da proposta, o parlamentar enfatiza que a transferência da usina representa uma perda irreparável na arrecadação de impostos e fere a identidade histórica da região.
"Não podemos aceitar passivamente que um acordo administrativo apague décadas de ocupação e gestão mineira sobre essa área", afirmou o vereador. Ele argumenta que, embora o Governo Federal alegue a correção de falhas cartográficas que remontam às décadas de 1920 e 1930, a prática resulta no enfraquecimento econômico e político de Nanuque.
Mobilização de forças
A Indicação aprovada no Legislativo busca unir forças para contestar a decisão. O texto convoca o Prefeito Municipal, o Governo de Minas Gerais e a Assembleia Legislativa (ALMG) a adotarem uma postura firme. O objetivo é esgotar todos os recursos jurídicos e políticos para tentar reverter ou mitigar os impactos da nova demarcação.
A perda da Usina Santa Clara é vista como o maior prejuízo estratégico, já que a infraestrutura é vital para o desenvolvimento local. Agora, a expectativa gira em torno da resposta do Executivo e da possibilidade de o Estado de Minas Gerais entrar com uma ação judicial contra a nova divisa estabelecida pelo IBGE.
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